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21 de agosto de 2025
As políticas educacionais que devem ser prioritárias da gestão municipal
No último post desta série, trazemos os três objetivos que devem ser foco do trabalho da equipe gestora da rede.
Educação Já

Ao longo dos últimos posts (você pode acessá-los aqui), retomamos as principais responsabilidades da rede municipal, falamos sobre a importância de se realizar o diagnóstico e como fazê-lo de maneira participativa e destacamos o papel do Plano Nacional de Educação e os 18 objetivos que estão sendo discutidos para os próximos dez anos.

Assim, cientes do seu papel, com os referenciais em mãos e os diagnósticos apontando os principais desafios, é hora de estabelecer os objetivos específicos que devem ser melhorados ao longo dos próximos anos e formular as políticas que alcancem resultados significativos e sejam perenes.

No último post desta série, recorremos, mais uma vez, ao Educação Já Municípios 2024 – Recomendações de Políticas Educacionais para as Gestões Municipais (2025-2028), elaborado pelo Todos pela Educação, para trazer recomendações concretas em relação às prioridades da gestão educacional do município. Segundo o próprio texto do material, “este documento considera que são três os objetivos prioritários para a gestão educacional municipal”. Vamos, então, a eles:

Ampliar o acesso e a qualidade da Educação Infantil (Creches e Pré-Escolas)
A oferta da Educação Infantil é uma atribuição exclusiva dos municípios. Nesta etapa, ainda existem desafios relacionados à expansão de vagas, especialmente na Creche, e na qualidade do serviço ofertado. É fundamental que ampliar o acesso e a qualidade da Educação Infantil seja um grande objetivo, priorizando as famílias em situação de maior vulnerabilidade.
Assegurar que todas as crianças sejam alfabetizadas na idade certa
Os municípios são os principais responsáveis pela alfabetização das crianças brasileiras, cujos resultados ainda indicam uma situação crítica e que demanda atenção. A alfabetização adequada e na idade certa é crucial para o futuro dessas crianças e de toda a sociedade. Os municípios precisam assegurar que seus alunos estejam plenamente alfabetizados até o final do 2° ano do Ensino Fundamental.
Promover ampla melhoria na qualidade e na equidade do Ensino Fundamental
No geral, os estudantes brasileiros ainda apresentam baixos níveis de aprendizagem e altas taxas de reprovação e abandono. As gestões municipais devem dar muita ênfase para melhorar esses indicadores e diminuir as enormes desigualdades ainda existentes (como as raciais e socioeconômicas). O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que integra dimensões de aprendizagem e trajetória dos alunos, é um indicador de qualidade educacional cujo avanço deve ser um dos principais objetivos da gestão.

Com as prioridades definidas, é preciso criar as condições necessárias para a estruturação de um sistema educacional de alta qualidade. Por isso, ao formular as políticas que vão dar sustentação às ações necessárias para o cumprimento desses objetivos deve-se levar em conta alguns aspectos essenciais. Um deles é uma visão sistêmica e coerente entre essas políticas que considera que, diante da complexidade dos desafios impostos, estratégias isoladas ou pontuais apenas sobrecarregam as escolas e não melhoram de maneira consistente os resultados.

O outro é o engajamento e apropriação das políticas da Secretaria pelos profissionais da Educação. As evidências mostram que reformas educacionais efetivas e duradouras prescindem do envolvimento de professores e gestores escolares no processo de formulação e implementação. Do contrário, por melhor que seja a intenção da gestão municipal, o que se encontra é um ambiente de baixa confiança e alta resistência.

Com as premissas corretas, as prioridades definidas e de posse dos indicadores, as redes municipais, responsáveis por mais de 60% das matrículas da rede pública, têm a oportunidade única de contribuir para a construção de uma agenda educacional que realmente conquiste avanços significativos na aprendizagem das crianças e dos jovens.

É com este foco que encerramos esta série. Mas não sem antes recomendar, novamente, o documento Educação Já Municípios 2024 – Recomendações de Políticas Educacionais para as Gestões Municipais (2025-2028). Nele, além de vários pontos que abordamos nas seis postagens, você encontra as recomendações das políticas a serem desenvolvidas em cinco eixos: Crianças e Jovens; Professores; Ensino-Aprendizagem; Escolas; e Secretarias, além das diretrizes transversais em Educação para as Relações-Étnico-Raciais e Educação Inclusiva. É um material produzido para realmente ajudar as equipes recém-chegadas às Secretarias, mas que embasa toda e qualquer gestão comprometida com a qualidade da oferta educacional.

Boa jornada, com escolhas conscientes e bem fundamentadas!

Karina Padial
Crédito: Rafael Dardes
Escrito por: Karina Padial
Fundadora e gestora da Mobilize Educação, é consultora pedagógica do Instituto Max Fabiani. Por mais de dez anos, trabalhou na Associação Nova Escola, como gestora de projetos e produtos educacionais voltados para Secretarias de Educação. Antes, cocriou a área de cursos online e foi repórter das revistas Nova Escola e da Gestão Escolar. Participou do 1º Cohorte de Jovens Lideranças Educacionais da América Latina, organizado pelo Leading Education.
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