A entrada no ensino superior é, historicamente, celebrada como um rito de passagem. Para muitos brasileiros, a matrícula universitária representa a materialização de um sonho geracional e a promessa de mobilidade social. No entanto, pouco se fala sobre o que acontece após a aprovação. Se o acesso é a porta de entrada, a permanência é o caminho — e, para muitos jovens, esse caminho tem se mostrado longo, difícil e, por vezes, intransponível.
Essa travessia não é democrática. Ela possui endereço, contexto e classe social. Afeta de forma desproporcional jovens de baixa renda, para quem a celebração do ingresso rapidamente dá lugar à complexa tarefa de equilibrar exigências acadêmicas crescentes com a urgência da sobrevivência.
A recente publicação da OCDE, “Education at a Glance 2025”, ajuda a dimensionar esse cenário e acende um alerta: cerca de 25% dos estudantes brasileiros abandonam a graduação ainda no primeiro ano, quase o dobro da média dos países que compõem o bloco (13%). Nesse mesmo sentido, o Mapa do Ensino Superior, apresentado pelo Instituto SEMESP, aponta uma taxa de desistência acumulada superior a 54% no Brasil.
Esses dados reforçam que o fenômeno da evasão universitária vai muito além do desempenho em sala de aula. Trata-se de uma vulnerabilidade que não se distribui de forma equânime. Ela atinge, sobretudo e com força desproporcional, o estudante de baixa renda que precisa conciliar a rotina universitária com o trabalho, enfrentar pressões financeiras constantes e lidar com questões estruturais, como moradia precária, dificuldades de transporte e insegurança alimentar.
Há ainda um fator menos visível, mas igualmente decisivo: a ausência de pertencimento e apoio na superação dessas barreiras.
Permanecer em um espaço que parece não ter sido desenhado para você exige resistência. É difícil projetar um futuro quando o presente exige, antes de tudo, a sobrevivência imediata. Reconhecer que a evasão é um problema estrutural é o primeiro passo para a construção de respostas educacionais mais justas e efetivas.
Construindo Futuros Possíveis
É nesse cenário que surge o Programa de Bolsas Max (PBMax), com o propósito de intervir e transformar a trajetória de jovens universitários pelo Brasil. O Programa foi pensado e estruturado para apoiar jovens talentos de baixa renda não apenas ao longo de toda a graduação, compreendendo que a permanência é um processo contínuo, e que requer apoio estruturado e contínuo.
Por isso, queremos que nossos bolsistas não apenas sobrevivam à universidade, mas que prosperem nela, ocupando esses espaços com a confiança de quem sabe que não está sozinho.
Não se trata apenas de celebrar o acesso, mas de garantir a conclusão. Não se trata apenas de entrar, mas de viver uma jornada universitária plena, em aprendizagem, performance e vivência.
O PBMax parte do entendimento de que a permanência universitária não se constrói apenas com apoio financeiro, mas com acompanhamento contínuo, acolhimento emocional e fortalecimento de vínculos. A literatura acadêmica sobre sucesso universitário mostra que o apoio financeiro, apesar de impactante na permanência e conclusão do ensino superior para estudantes de baixa renda, tem seus efeitos amplificados quando combinada com outras formas de apoio contínuo. Estudos na área revelam que a oferta de mentoria acadêmica é um dos pilares mais eficazes, porém subestimados, para garantir que o estudante não apenas permaneça, mas termine o curso com êxito (Anaya e Carr, 2014; Bettinger e Baker, 2014). A mentoria funciona como uma bússola estratégica, ajudando o jovem a alinhar seus objetivos de vida com a realidade acadêmica, o que resulta comprovadamente em melhores notas e em uma conexão mais forte com a instituição (Chan et al., 2019; Hawthorne et al., 2022; Mvikweni e Mthengi, 2025). Para estudantes que enfrentam vulnerabilidades, essa orientação proativa, e acesso a apoio psicológico é o que garante e constrói o pertencimento em um ambiente que, historicamente, não foi desenhado para recebê-los (Sparrow, 2025), atravessando estas barreiras construindo pontes entre a vivência de cada estudante e seus objetivos acadêmicos e pessoais.
Tomando como inspiração o corpo de evidências na garantia do sucesso universitário, na sua primeira edição, em 2026, o PBMax oferecerá 30 bolsas mensais no valor de R$ 1.200,00, proporcionando um alívio financeiro fundamental para jovens talentos, além de apoio psicológico, aconselhamento acadêmico, mentoria de carreira e a uma rede de pertencimento, construída de forma coletiva e contínua. Por meio deste conjunto de iniciativas, esperamos trazer uma estrutura de apoio robusta para garantir que jovens de baixa renda de todo o país não só possam ingressar, mas permanecer e concluir o ensino superior com excelência.
Que possamos, juntos, transformar o acesso em conclusão e a conclusão em possibilidades reais transformação de vida.
Conheça mais sobre o Programa de Bolsas Max e acompanhe essa iniciativa que fortalece trajetórias universitárias e amplia oportunidades de futuro.
Acesse: instagram.com/programabolsasmax
