Apoiar a estruturação e o desenvolvimento de uma organização da sociedade civil (OSC) vai muito além do aporte financeiro.
Uma das ações que materializa essa atuação do Instituto Max Fabiani está representada na construção da Teoria da Mudança (TdM) do Espaço Educacional Quilombo Guarani, que aconteceu no segundo semestre de 2025.
Nesse conteúdo, apresentamos o processo de construção e o papel estratégico da TdM para organizações sociais, independente do seu nível de familiaridade com a ferramenta.
Antes de mais nada, vale explicar que a Teoria da Mudança é uma ferramenta de planejamento de gestão de políticas públicas, programas ou projetos que permite visualizar como determinada intervenção pode alcançar os resultados esperados. Ou seja, um mapa que mostra como as ações de hoje se conectam aos resultados e ao impacto de longo prazo.
Esse mapa lógico é constituído de cinco etapas principais, como mostra o exemplo abaixo produzido pelo Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados para a África Lusófona e Brasil (Clear), da Fundação Getulio Vargas (FGV):

Impacto em primeiro lugar
Como esse instrumento é uma bússola para o trabalho das organizações e representa aquilo que ela deseja alcançar, é importante que a equipe de cada OSC se envolva. A construção começou pelo ponto mais importante: o impacto.
O impacto, na TdM, é definido como as transformações de longo prazo e de maior abrangência na sociedade, diretamente relacionadas ao problema central que a organização se propõe a resolver.
Após esse processo de construção e alinhamento, chegamos à seguinte mudança sistêmica desejada:
Estudantes do QG ampliam suas oportunidades, alcançam mobilidade social e se engajam socialmente, reconhecendo a educação como elemento central a esse projeto de vida
Para o definirmos, partimos da seguinte pergunta-norteadora: O que eu espero ouvir de um estudante que frequentou o QG quando eu encontrá-lo na rua daqui a 10 anos?
O processo invertido, de começar pela última etapa, permite que a gente não parta apenas daquilo que já fazemos, com os insumos que já temos. Ao partir do objetivo final, nos estruturamos para realizar as atividades necessárias, com os insumos adequados, para que a atuação esteja de fato alinhada e coerente com o impacto almejado.
Seguindo o caminho inverso, fomos para os resultados. Neste momento, aproveitando a flexibilidade que cabe na TdM, dividimos os resultados em dois. Os gerais, que compete à toda a organização, e os específicos, relacionados mais diretamente a cada um dos projetos em andamento no QG, que são:
- Letramento e Alfabetização: Suporte pedagógico focado em crianças que trazem defasagens de aprendizagem em competências de leitura e escrita;
- Cursinho Pré-Etec: Programa preparatório para o ingresso em escolas técnicas;
- Cursinho Pré-Vestibular: Preparação direcionada a jovens e adultos que buscam o ingresso em universidades públicas e privadas;
- Centro de Línguas (CDL): Ensino de inglês, com foco em conversação, para ampliar o repertório cultural e as oportunidades de trabalho dos alunos; e
- Jovens Potentes: Iniciativa focada na permanência e conclusão dos estudantes que estão cursando o Ensino Superior.
Entre os resultados gerais, destacam-se:
- Estudantes declaram se sentir mais acolhidos, pertencentes e com suas potencialidades reconhecidas
- Estudantes demonstram formação sociopolítica e desenvolvimento de pensamento crítico ao se manifestarem em relação a desigualdades de raça, classe e gênero
- Estudantes do QG são apontados como inspiração dentro do território e influenciam que outros estudantes participem dos projetos
- QG é uma organização de referência educacional e formação cidadã no território
E, para exemplificar os específicos, vamos nos concentrar naqueles definidos para o Pré-Vestibular. Identificamos um resultado inicial:
Índice de frequência dos alunos é alta, demonstrando comprometimento com os estudos
E dois finais, ou seja, que, seguindo uma sequência lógica, não acontecem sem o inicial:
Aprovação dos estudantes da universidade é maior do que as escolas públicas e privadas do território; e
Estudantes tomam decisões conscientes e com embasamento sobre sua trajetória educacional
Para chegar a eles, fomos guiados pela seguinte questão: “Quais resultados o projeto que eu lidero/atuo devem gerar para que o impacto que a gente deseja seja alcançado?”
Esse tipo de pergunta, bem como a colocada para o impacto, é uma forma de traduzir o que se espera em cada uma das etapas, facilitando que a equipe da OSC consiga contribuir de forma significativa.
Esse processo pode ser visualizado no esquema abaixo:

No próximo conteúdo, apresentaremos a construção das demais etapas e uma visão geral da Teoria da Mudança do QG.
E na sua organização, como o impacto de longo prazo é definido? Essa reflexão é parte central para orientar escolhas e alinhar a atuação ao longo do tempo.
Acompanhe os próximos conteúdos para entender como esse processo se desdobra na prática.
