No último post, trouxemos o processo de construção da Teoria da Mudança (TdM) de uma organização apoiada pelo Instituto Max Fabiani. Começamos pelo fim, com a definição do impacto que querem gerar na vida dos estudantes e no território, e avançamos para os resultados gerais, que orientam cada um dos projetos desenvolvidos. É como se o impacto fosse o destino final e os resultados gerais, os grandes marcos ao longo do caminho. Mas para que esses resultados sejam atingidos, é preciso que outras etapas sejam definidas, e posteriormente, materializadas no dia a dia das OSCs.
Vamos, então, destrinchar um pouco mais dessa cadeia lógica:
Resultados Específicos: Como os resultados gerais são de mais longo prazo, para conseguirmos acompanhar se estamos na direção certa, definimos as transformações mais imediatas. Por exemplo, antes de atingir a aprovação dos estudantes no ensino superior, é preciso garantir metas relacionadas à frequência e à permanência nas atividades educativas.
Produtos: Para alcançar os resultados específicos, precisamos ter entregas concretas da organização. Entre eles, podem estar um sistema de acompanhamento da frequência dos alunos implementado, metodologias pedagógicas estruturadas e processos de formação da equipe implementados.
Atividades: Entregas concretas (produtos) só são feitas se uma série de atividades forem desenvolvidas para que ela ocorra. Só podemos considerar que uma metodologia de aprendizagem está apropriada pelos professores, se eles tiverem passado por processos formativos sobre ela e estiverem dando aulas significativas e engajadoras.
Insumos: Para que as atividades sejam desenvolvidas, há uma série de recursos (humanos, financeiros, materiais, de espaço) que devem ser garantidos. Por exemplo, ter um corpo docente qualificado e bons materiais didáticos.
É essa cadeia lógica que permite que uma organização não opere como um conjunto de projetos isolados. Por isso, diferente do que ocorre com bastante frequência, a Teoria da Mudança não deve ficar dentro da gaveta ou como um quadro na parede. Este instrumento tem o potencial de ser a principal ferramenta de gestão da organização, apoiando-a na construção dos planos de ação, a fim de gerar uma coerência entre aquilo que se faz no dia a dia e que se espera chegar com isso.
Na prática, se uma nova atividade é sugerida, a equipe gestora pode avaliar se ela contribui para gerar os produtos esperados e, assim, se favorece o atingimento dos resultados específicos. Ela orienta, inclusive, a alocação de recursos: vale investirmos num coletivo de saúde emocional? A resposta será sim caso ele apoie diretamente resultados relacionados à permanência e ao senso de identidade. Sem contar os docentes para quem essa ferramenta serve como um lembrete constante não só do porquê estão envolvidos no projeto, mas também sobre as escolhas que fazem sobre sua prática pedagógica.
Por isso, se sua OSC não possui uma Teoria da Mudança, que tal iniciar esse processo de construção coletiva? E, caso a sua organização já tenha esse instrumento estruturado, que tal tirar a poeira de cima dela e retomá-la com intencionalidade?
Até a próxima!
